




Problemas atuais da Cidade de Belo Horizonte
MOBILIDADE URBANA
Os problemas de trânsito enfrentados pela população de Belo Horizonte começaram já na concepção do projeto urbanístico do engenheiro Aarão Reis, responsável pela construção da nova capital. O traçado viário idealizado pelo engenheiro, cuja implementação se limitou à área compreendida dentro do círculo formado pela Avenida do Contorno, privilegiou a forma radioconcêntrica, ou seja, todas as ruas partiam do centro. Atualmente, essa área corresponde a 3,5% da mancha demográfica da Região Metropolitana de Belo Horizonte. A configuração então assumida pela cidade através das décadas seguintes, de ter no seu centro o polo provedor, foi um dos fatores preponderantes para o atual cenário somado à ausência de obras viárias importantes. O uso do espaço urbano pelos veículos em Belo Horizonte mostra incoerências: apesar de representar menos de 10% da frota, os ônibus coletivos transportam 40% da população enquanto os carros, que represntam mais de 80% da frota, são responsáveis pelo transporte de apenas 24,5% dos habitantes de Belo Horizonte. A BHTrans não mede congestionamentos como em São Paulo mas um reflexo da saturação da frota pode ser indicado pela velocidade média de tráfego dos ônibus, que por causa do excesso de carros, no horário de pico a velocidade dos ônibus no hipercentro é de 18 km/h chegando a 8 km/h em determinados locais. Proporcionalmente, Belo Horizonte tem uma das maiores proporções de veículo por habitante do país: 1 veículo para cada grupo de 2,4 habitantes (em São Paulo, estima-se um veículo por 1,78 habitante; Brasília tem 1 veículo por 2,4 habitantes e o Rio de Janeiro 1 veículo por 2,9 habitantes). Enquanto os ônibus costumam andar lotados com até cem passageiros, os carros costumam circular vazios. Na cidade, a taxa média de ocupação é de 1,4 pessoa por carro causando congestionamentos de filas de automóveis quase vazios, ocupados somente pelo motorista.
CRIMINALIDADE
Belo Horizonte é a sexta capital estadual mais violenta do país, segundo o estudo "Mapa da Violência dos municípios brasileiros", publicado pela Rede de Informação Tecnológica Latino Americana (RITLA), com base nos dados do Ministério da Saúde de 2008. Proporcionalmente, a cidade registrou, em 2006, 49,2 casos de homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes, índice acima do verificado em cidades como São Paulo (23,7), Rio de Janeiro (37,7), Goiânia (36,4), Porto Alegre (36,3), Fortaleza (35,4) ou Brasília (32,1).
MEIO AMBIENTE
A cidade, que se encontra na Bacia do São Francisco, sofre com o abandono da concepção inicial de se fazer o tratamento dos esgotos ou a depuração pelo solo, decidindo-se pelo lançamento das águas sem tratamento prévio em seus córregos e ribeirões. Isto desencadeou um longo processo de poluição. Os trajetos dos córregos e ribeirões não foram utilizados como referências naturais na composição do traçado da área urbana planejada inicialmente embora estivessem à vista em vários trechos da cidade em seus primeiros anos. Todos eles seriam progressivamente canalizados em seus percursos dentro do perímetro da Avenida do Contorno. Ao longo desse processo, os córregos, primeiro, foram canalizados a céu aberto, sendo gradativamente cobertos por avenidas sanitárias. Os esgotos seriam despejados nesses cursos d'água sem nenhum tratamento, transformando definitivamente a paisagem e ocultando a natureza debaixo da terra. A visualização da passagem dos córregos pela cidade foi sacrificada, cedendo aos imperativos da necessidade funcional da fluidez e do aumento da largura das ruas para o tráfego de veículos. Surgiram algumas importantes avenidas, como Avenida Silviano Brandão (canalização do córrego da Mata), Avenida Dom Pedro II (canalização do Córrego do Pastinho), Avenida Nossa Senhora do Carmo e Uruguai (canalização do córrego Acaba-Mundo). O início da ocupação da Região Metropolitana de Belo Horizonte apresentou um padrão urbano bastante precário, que trouxe as marcas do improviso, do inacabado e da carência absoluta, originando um significativo comprometimento imediato do meio ambiente, devido à devastação da cobertura vegetal, à ocupação de várzeas e à poluição, cada vez maior, das bacias do Ribeirão Arrudas e do Ribeirão da Onça. Como na bacia do Arrudas, observou-se o agravamento das condições sanitárias da bacia do Ribeirão da Onça-Pampulha. Contribuintes do Rio das Velhas, ambas receberam esgotos domésticos e industriais in natura da região urbana de Belo Horizonte, constituindo-se no maior poluidor do Rio das Velhas e, por extensão, da bacia do Rio São Francisco. Um importante fator responsável pela degradação desses cursos d'água é a aglomeração de indústrias, especialmente as siderúrgicas, que também passaram a lançar os seus efluentes sem nenhum tratamento prévio nos cursos d'água. Em 2001, a estação de tratamento de esgotos do Ribeirão Arrudas, construída e operada pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), com o apoio da Prefeitura de Belo Horizonte, representou uma importante sinalização por parte do poder público de uma mudança de mentalidade em relação à preservação dos recursos hídricos. Sob o ponto de vista da moderna engenharia ambiental e sanitária, a qualidade de vida na cidade seria mais alcançada se seus cursos d´água tivessem sido conservados naturais e incorporados à vida urbana com parques lineares e com largas avenidas e bulevares a média distância de suas margens. Não tendo sido feito este planejamento ambiental, a especulação imobiliária e a corrida das empreiteiras da construção civil agiram indiscriminadamente.
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